Setembro Amarelo: psicóloga destaca importância de falar sobre saúde mental e buscar ajuda

  • 11/09/2026
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Setembro Amarelo: psicóloga destaca importância de falar sobre saúde mental e buscar ajuda

Psicóloga Mariana Azevedo de Souza participou do Tarde Show e compartilhou orientações sobre prevenção ao suicídio, sinais de alerta e cuidados com a saúde mental em diferentes fases da vida


Em entrevista ao Tarde Show, Mariana Azevedo de Souza falou sobre prevenção ao suicídio, saúde mental, sinais de alerta e a importância de buscar ajuda profissional em diferentes fases da vida

Durante o mês de setembro, a campanha Setembro Amarelo reforça a importância da prevenção ao suicídio, da valorização da vida e dos cuidados com a saúde mental. Para falar sobre o tema, o locutor Gabriel recebeu, no Tarde Show da Rádio Integração, a psicóloga Mariana Azevedo de Souza.

Ao longo da entrevista, a profissional destacou que falar sobre saúde mental é fundamental para combater preconceitos e permitir que as pessoas reconheçam quando precisam de ajuda.

Segundo Mariana, durante muito tempo os transtornos mentais foram tratados como tabu. Pessoas que faziam tratamento ou utilizavam medicamentos eram, muitas vezes, chamadas de “loucas”. Para a psicóloga, é necessário mudar essa visão e compreender que uma doença ou um momento de sofrimento não define quem é a pessoa.

Ela também ressaltou que não existe vergonha em procurar um psicólogo ou psiquiatra. Pelo contrário, reconhecer o próprio sofrimento e buscar auxílio é uma forma de cuidado e prevenção. O acompanhamento psicológico pode ser necessário em diferentes momentos da vida e não significa necessariamente que a pessoa precisará fazer terapia para sempre.

Sinais de alerta

Mariana explicou que é importante observar quando sentimentos como tristeza e ansiedade passam a interferir de maneira significativa na rotina. Quando a pessoa deixa de conseguir trabalhar, manter relacionamentos ou realizar atividades que antes faziam parte do seu cotidiano, é necessário ficar atento.

A profissional destacou ainda que problemas como depressão e ansiedade podem estar relacionados a diversos fatores, incluindo predisposição genética, ambiente, personalidade, história de vida, vínculos afetivos, frustrações e a maneira como cada indivíduo enfrenta as dificuldades.

A importância de ouvir

Outro ponto abordado foi a maneira como familiares e amigos podem ajudar alguém que não está bem.

Mudanças de comportamento, isolamento, tristeza intensa e perda de interesse pelas atividades habituais podem ser sinais de que algo está acontecendo. Nesses casos, a orientação é conversar, perguntar como a pessoa está se sentindo e, principalmente, escutar sem julgamentos.

Quando alguém manifesta pensamentos relacionados à própria morte ou ao suicídio, a situação deve ser levada a sério e é necessário buscar atendimento imediatamente.

Saúde mental entre crianças e adolescentes

A entrevista também abordou a saúde mental de crianças e adolescentes. Mariana chamou atenção para o aumento dos casos de sofrimento emocional e para a necessidade de escolas e famílias estarem preparadas para reconhecer e enfrentar essas situações.

Entre os fatores que podem contribuir para esse cenário estão a velocidade da vida moderna, a dificuldade em lidar com frustrações, a busca por respostas imediatas e o impacto das redes sociais.

O cyberbullying também foi apontado como uma preocupação importante.

Para a psicóloga, a escola possui um papel fundamental na prevenção, já que professores e colegas convivem diariamente com os estudantes e podem perceber mudanças de comportamento. Da mesma forma, os pais precisam acompanhar a vida digital dos filhos, estabelecer limites e buscar orientação quando necessário.

Mariana também destacou que, no atendimento de crianças e adolescentes, muitas vezes é necessário trabalhar com toda a família, oferecendo orientação aos próprios pais para que possam compreender melhor as necessidades dos filhos.

Atenção também aos idosos

A saúde mental na terceira idade foi outro assunto abordado durante a conversa.

Mariana explicou que os índices de suicídio entre idosos são historicamente preocupantes, especialmente entre os homens. Enquanto as mulheres apresentam maior número de tentativas, os homens aparecem com maior frequência nos casos de suicídio consumado.

O isolamento, as perdas ao longo da vida, o afastamento das atividades e a sensação de abandono podem contribuir para o sofrimento emocional dos idosos.

Por isso, a psicóloga reforçou a importância da presença da família e da participação dos idosos em grupos e atividades oferecidos pelas comunidades e municípios.

Uma visita, uma conversa ou simplesmente demonstrar interesse pode fazer diferença. Segundo Mariana, é preciso olhar para os pais, avós e pessoas próximas e estar atento também ao que eles têm para dizer.

Como buscar atendimento pelo SUS?

Durante a entrevista, a psicóloga explicou que a forma de acesso ao atendimento em saúde mental pode variar de acordo com o município.

Nas cidades que possuem CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), existem equipes especializadas, com profissionais como psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais, além de atividades e atendimentos.

Nos municípios menores, onde não há CAPS, a orientação é procurar a UBS (Unidade Básica de Saúde). A partir desse primeiro atendimento, o paciente pode ser avaliado e encaminhado para o profissional ou serviço adequado.

Em situações de emergência, entretanto, não se deve esperar por uma consulta agendada. Tentativas de suicídio, pensamentos de tirar a própria vida, alucinações, delírios ou alterações graves de comportamento exigem atendimento imediato em um serviço de emergência ou hospital.

A psicóloga também lembrou o trabalho do Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188, que oferece atendimento gratuito e 24 horas para pessoas que precisam conversar e ser ouvidas.

Buscar ajuda é possível

Ao finalizar a entrevista, Mariana deixou uma mensagem para os ouvintes: é preciso desmistificar a ideia de que sofrer faz parte da vida e que é necessário simplesmente “aguentar”.

Existem tratamentos e profissionais preparados para ajudar. Buscar apoio pode permitir que a pessoa viva melhor, com menos sofrimento e consiga desenvolver recursos para enfrentar as dificuldades do cotidiano.

A psicóloga reforçou ainda que as redes sociais muitas vezes mostram uma realidade aparentemente perfeita, mas não revelam necessariamente o que cada pessoa está vivendo. Por isso, não é preciso estar feliz o tempo todo, e reconhecer que algo não está bem é um passo importante.

“Não ter preconceito, se cuidar e buscar ajuda quando perceber que não está conseguindo levar a vida de uma forma legal” foi uma das principais mensagens deixadas pela profissional.

A entrevista com a psicóloga Mariana Azevedo de Souza fez parte da programação do Tarde Show, da Rádio Integração, dentro das ações de conscientização do Setembro Amarelo.

Falar sobre saúde mental é quebrar tabus, acolher, prevenir e valorizar a vida.

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